Em terra de cego nao existe lei,quem tem dois olhos já acaba sendo mal visto pois quem tem um ja consegue se tornar rei. ''Acta est fabula'' Oriente-se.
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terça-feira, 9 de dezembro de 2014
NÃO SIRVO
Não sei nem fingir, minha personalidade sufoca até minha dissimulação.Consigo de vez em quando sentir o gosto de cores , do tecido , de expressar em mil palavras dentro da minha mente o rosto de alguém que vejo a andar calado olhando ao chão.Me perco alcançando um inexprimível som pela busca do real ,as vezes grita que me deixa irritado , as vezes sussurra que acabo sentindo falta.Eu queria um mundo pra mim tão misturado , misturado do jeito que está agora.
Átila Reis
Sobre estar dentro do olhar.
Entrei num local úmido , textura abandonada em um tipo de lixa embebecida em água salina.Um afluente a frente , atrás uma retina, uma íris , cílios e tudo que quando aqui dentro me perco não quero.Gritei e o eco retornou , voltando um som oblíquo tanto quanto as paredes, percebi que era possível.Gritei em esperança meu nome,nem obtive retorno , sentei, a fonte intensificou , a água salina molhou meus pés....Então eu sorri alto e ouvi o bem dito retorno e era isso,não havia percebido que somente o fora da semântica ecoava...Lá o não limitado nas letras ordenadas é que podia ecoar .Sorri alto de novo , gritei , e o que seria barulho eu achei lindo.Agora com uma melodia que vibra como eu, não limitado em letras e num som desordenado, entendo meus olhos quando que sorriem tristes.
Gritos altos demais, pensei.
Átila Reis.
SANGRE
Antigamente, por volta de 2.000 a.C. a sangria era um método utilizado para a cura de doenças , cortes expostos , sangue escuro a jorrar , e pensava-se que aquela estava a deixar o corpo do moribundo também.Curioso porquê eis que recebo a seguinte mensagem no facebook:
''Vc é introspectivo e visceral.''
É isso,cortar adentro onde não pode cicatrizar , expor sua humanidade , fazer suas vísceras estarem a sua frente , a sangria antiga , a sangria terapêutica pela poesia e prosa.Comece a sangrar e então ficarei feliz,escorra qualquer doença do trivial humano.Identifique-se.
TE ENVIO FLORES DO TIPO QUE TE ACOSTUMASTES
Dedicado a.
Não há maior animal carniceiro que o tempo, tudo que está podre a ele é consumido , o cheiro do decair a ele é perseguido.O tempo mostra em fim os mais (mais e mais), normalmente nunca é você,conselho ainda não cria projeções probabilísticas virtuais
e observar simbilos na água de alguém que de uma maneira qualquer sempre vai a uma única correnteza pragmática é de me cortar o coração.Por um instante me dá alguma pena, um sentimento sem elegância mas irremediavelmente acalentado pelo outrem que está "a pensar com as tripas".
"Morte" iminente eu suponho, sim (sim e sim) , mando flores um dia, flores sem cor e cheiro, só flores já envelhecidas.
Ponto.
Átila Reis.
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
O parasita atrator existencial
Atrator Existencial
“Não acredito em destino. Porque não gosto da ideia de não poder controlar minha vida.”-Neo, Matrix.
Atualmente tem um parasita que vem tirando-me o sono. Sim! Um parasita. Um maldito organismo, simples em sua estrutura, vivendo agregadamente a mim e as minhas custas e simplesmente, não há medicamento que eu possa tomar a fim de emancipa-lo de mim. Este parasita é diferente dos estudos nos livros de Medicina e Biologia. Ele é mais resistente do que todos os outros parasitas conhecidos à luz da ciência do homem. Este parasita é cruel e não vê a quem. Ele destrói famílias, homens bonitos; belas mulheres e transforma impérios em cinzas. O mais impressionante que podemos notar em sua operação no organismo humano é que ele alimenta-se de algo, no mínimo interessante; ele alimenta-se de sua sanidade.
O parasita mais resistente. Este maldito ser, capaz de destruir belos e esculturais corpos, faces divinas, de separar a mais unida das famílias e levar grandes líderes a consumirem os seus impérios em chamas, é difícil de combater porque ele aloja-se bem lá no fundo. No fundo do coração? No fundo do fígado? Não! No fundo da consciência humana. Eis que o parasita mais resistente é de fato, uma ideia. Ideia esta obsessiva. Destas difíceis de combater. Quem nunca pegou-se pensando, insaciavelmente em algo? Sedento por respostas tal como um nômade no vasto deserto, sedento por água. Sedento por uma saída para a sua sede. Este parasita aloja-se na psique da mulher que pensa todo o tempo, estar sendo traída por seu cônjuge. Este parasita aloja-se bem no fundo do civil que em meio a um parque lotado, pensa estar sendo perseguido. Ele também está naqueles que clamam almas para o “Senhor Deus”. Ele está nos ataques homofóbicos e transfóbicos motivados por motivos torpes sobre os quais, torna-se difícil para a análise determinar uma causa sensata, tão puramente porque não há sensatez em atacar-se o que não pode-se compreender decentemente. Ele está nos necessitados por afeto e por vezes os encontramos em meio aos nossos melhores amigos imaginários.
Pois bem, tendo isto em mente, você já foi infectado a esta altura do campeonato. Estamos todos impregnados destas pragas e elas vivem dentro de nós e por mais cruel que seja, descobrimos ao tentar que eliminando-se estes parasitas de nós, eliminamos também a nós mesmos, pois eis que agora, fazem parte do que somos e definem o nosso caminhar por este mundo, já corrompido. Torna-se difícil definir quem veio primeiro: o hospedeiro ou o parasita, tamanha a força com que alojam-se em nós, pode-se dizer, que fazem parte de nós. Não há distinção entre hospedeiro e parasita. Por ventura, o pensador submerso, confunde-se com os seus ideais. Rapidamente, nos perguntamos quem veio primeiro: o pensador ou o ideal pensado. Muitos são aqueles que seguem ideais bem mais antigos que a si próprios, sem qualquer crítica ou reflexão a respeito de suas bases que podem ter começado dali bem distante. Estes parasitas cruéis são ideias e ideais que tomamos para nós de forma voraz, sem preocupar-se muito com tamanha voracidade. Dizemos que elas nos definem e que dão sentido para as nossas vidas, quando na verdade, perdemos a nossa sanidade, passo-a-passo. Ideias famintas e obsessivas tais como, por exemplo; o modelo de família, constituída por um homem cisgênero, uma mulher cisgênero e uma ou mais crianças. Tudo de forma bem heteronormativa e dizemos então que a nossa heteronormatividade define o que é família e a família define e protege a nossa heteronormatividade. É tão simples deixar estes demônios astutos alojarem-se em nós.
Todos têm os seus demônios e não seria diferente comigo. Eu venho travando uma batalha ferrenha pelo controle de minha vida com um astuto e poderoso demônio. As suas dimensões são difíceis de serem mensuradas e a sua forma é a de uma borboleta. Não seja tolo, meu camarada. Não se deixe enganar pela fisionomia da borboleta. Ela é mais poderosa e astuta do que você pode pensar. Tamanho é o poder da borboleta que rege a lenda que o mero bater de suas asas pode ser a origem de tufões. Vamos analisar as asas de uma borboleta. Elas são simétricas, isto significa que são descritas pela sequência de Fibonacci e a razão entre a sua altura e comprimento é aproximadamente 1,6. Nas asas da borboleta encontramos grandes mistérios como, por exemplo, não é fácil notar, mas pode-se notar que a simetria respeitada pelas asas da borboleta é a mesma simetria respeitada pelo corpo humano, retratada por Leonardo Da Vinci em o conhecido “Homem Vitruviano” e também, respeitada pelas galáxias espirais em nosso Universo de 78 bilhões de anos-luz de diâmetro, 724.834.091.799.876.240.000.000.000 metros de diâmetro. Sabemos atualmente que as estrelas no Universo observável distribuem-se em padrões de π (3,141592), mais um exemplo de beleza na simetria.
Infelizmente, vendo por além desta beleza toda, eu descobri um terrível pesadelo. O pesadelo de que eu não controlo a minha vida. Tudo o que eu fiz, faço e farei, já foi definido por mim e eu, bem, eu estou apenas interpretando um papel, numa grande peça para a qual as minhas falas e ações já foram determinadas por mim, num teatro de 78 bilhões de anos-luz, personagens vão e vem o tempo todo à vida. Eis que aqui, o meu demônio é revelado nas asas da borboleta. A solução das equações é certeira e me leva a uma drástica e inevitável conclusão, a de que: não importa o ponto de partida. Os detalhes são podem ser desprezados e quaisquer mudanças e variações no meio, sempre conduzirão ao mesmo e infalível resultado. Há apenas um único resultado para todo e qualquer caminho, para todo e qualquer detalhe e ele sempre chega. Imagine-se nas asas de uma borboleta, independentemente do ponto de partida que você escolha, contornando todas as curvas, apavore-se, você sempre acabará no mesmo lugar! Não há escapatória, não há escolhas que você possa fazer ou detalhes que você possa mudar, o começo confunde-se com o fim. O alfa torna-se o ômega na fita de Möbius. Na beleza das asas da borboleta, passado, presente e futuro são meras ilusões produzidas por nossos estados de consciência e vejam só; encontramos o nobre Sir Isaac Newton por aqui, também. Esta é a minha batalha frustrada, a minha apoteose que jamais chegará. O cântico de um soldado desiludido, pois eu notei que a minha vida, encontra-se nas asas de uma borboleta, bela e letal. Não há ações que eu possa tomar, não há detalhes que eu possa alterar a fim de evitar o fim iminente. Eu tomei consciência então de que isto é, há muito chamado, destino. Em questões de experiências de vida, de sempre para cá, eu notei que não importa o quanto eu esforce-me, o quanto eu estude ou o quanto eu evolua, não há jeito, a vida tende a ser sinônimo de sofrimento. Logo, existir, é sinônimo de sofrer e não há remédio para este sofrimento. Interessantemente, eu tomei consciência de estar vivendo sobre as asas de uma borboleta para a qual a finalidade é o sofrimento, sempre a frente e inevitável e este, Senhoras e Senhores, é o meu parasita, aquele que come-me a sanidade; o irremediável. Consome-me a ideia de que eu não possa controlar a minha vida. Eu sou só uma mera atriz, vivendo em linhas tortas, nas asas da borboleta.
Autora e minha amiga excepcionalmente genial : Alice Ruiz
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
domingo, 2 de novembro de 2014
Desabafo
Analisando meu passado , eu inquieto-me bastante ... Parece que fui como um menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltavam poucas, roeu o caroço de jabuticabas que nada mais tinham a oferecer.
Já não tenho tempo para lidar com subalternos da mediocridade. Não quero estar em festas e ''reuniões de amigos'' onde desfilam egos inflados.Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos sem norte. Já não tenho tempo para conversas intermináveis para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha. Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas que, apesar da idade cronológica, são imaturas.Já não tenho tempo para ficar dando explicação aos medianos se estou ou não perdendo a fé, ou porque admiro a poesia do Chico Buarque e do Vinicius de Moraes; a voz da Maria Bethânia; os livros de Machado de Assis, Thomas Mann, Ernest Hemingway e José Lins do Rego ao invés de ler Bruna Surfistinha ou Crepúsculo e ouvir artistas que não fazem arte alguma.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de ''fica da semana'' ou semelhante bobagem, seja ela qual for. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa… Há muitas jabuticabas na bacia ainda com sabores doces para me dar, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão somente andar ao lado de caráter. Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo, e a pior perda é a perda de tempo, são pedaços da sua vida que jamais voltarão para você.Tem um filósofo que diz que as pessoas acomodam-se a futilidade, pois pensar dói e nos faz ver o quão mínimos realmente somos sem toda essa ''maquiagem derretendo''. Não quero ser nunca mais aquele que um sábio pode olhar e pensar ''vc é tão trivial , sua vida é trivial''. Cada um dá o que tem a oferecer .Vou usar de umas frases de um ser excepcional, a escritora inglesa Virginia Woolf :“Ainda está em nossa indolência, em nossos sonhos, que a verdade submersa às vezes vem à tona.Encarar a vida pela frente... Sempre... Encarar a vida pela frente, e vê-la como ela é... Por fim, entendê-la e amá-la pelo que ela é... E depois deixá-la seguir... Sempre os anos entre nós, sempre os anos... Sempre o amor... Sempre a razão... Sempre o tempo... Sempre... As horas..” O essencial faz a vida mais viva. E basta o essencial cara , de verdade, a vida não é um sonho , mas se você esta em um , acorde , a realidade é mais bela e bem mais aconchegante e depois de desperto sonhar acordado vai fazer bem mais sentido!
Átila Silva Carvalho Reis (As jaboticabas são uma alusão a um texto de Ricardo Godim)
sábado, 4 de outubro de 2014
Como explicar a consciência?
Agora mesmo vocês têm um filme passando em suas cabeças. É um maravilhoso filme em várias faixas. Ele tem visão 3D e som estéreo para o que você está vendo e ouvindo agora ao seu redo, mas este é apenas o começo. Seu filme tem cheiro, sabor e tato. Ele tem uma noção do seu corpo: dor, fome, orgasmos. Ele tem emoções: raiva e felicidade. Ele tem memórias, como cenas da sua infância passando na sua frente. E tem esse narrador constante no seu fluxo de pensamento consciente. No coração deste filme está você experimentando isso tudo diretamente. Este filme é o seu fluxo de consciência, o sujeito da experiência da mente e do mundo.
Consciência é um dos fatos fundamentais
da existência humana.
Cada um de nós é consciente.
Todos nós temos nosso filme interior,
você, você e você.
Não há nada que conheçamos
tão diretamente.
Ao menos, eu sei sobre
minha consciência diretamente.
Não posso ter certeza
de que vocês são conscientes.
Consciência também é
o que faz a vida valer a pena.
Se não fôssemos conscientes,
nada em nossas vidas
teria significado ou valor.
Mas, ao mesmo tempo,
é o fenômeno mais misterioso
do universo.
Por que somos conscientes?
Por que temos essas vozes interiores?
Por que não somos apenas robôs,
que processam todas essas entradas,
produzem todas essas saídas,
sem experiênciar esse filme interior?
Até agora, ninguém sabe as respostas
para essas perguntas.
Eu irei propor que, para integrar
a consciência à ciência,
algumas idéias radicais
podem ser necessárias.
Alguns dizem que uma
ciência da consciência
é impossível.
Ciência, por natureza,
é objetiva.
Consciência, por natureza,
é subjetiva.
Então nunca poderia haver
uma ciência da consciência.
Por grande parte do século 20,
essa visão se sustentou.
Psicólogos estudaram
o comportamento objetivamente
neurocientistas estudaram
o cérebro objetivamente,
e ninguém jamais mencionou
a consciência.
Mesmo 30 anos atrás, havia muito pouco trabalho científico
sobre a consciência.
Mas, cerca de 20 anos atrás,
isso tudo começou a mudar.
Neurocientistas como Francis Crick
e físicos como Roger Penrose
disseram que este era o momento
para a ciência atacar a consciência.
E desde então, têm havido
uma grande explosão,
um florescer de trabalhos científicos
sobre consciência.
E este trabalho é maravilhoso.
É ótimo!
Mas também tem
algumas limitações fundamentais.
A peça central
da recente ciência da consciência
têm sido a busca por correlações,
correlações entre certas
áreas do cérebro
e certos estados de consciência.
Vimos um pouco disso
por Nancy Kanwisher
e o excelente trabalho
que ela apresentou
minutos atrás.
Agora entendemos muito melhor,
por exemplo,
os tipos de áreas cerebrais
que lidam com
a experiência consciente
de ver rostos,
ou de sentir dor
ou de se sentir feliz.
Mas isso ainda é uma
ciência de correlações.
Não é uma ciência de explicações.
Sabemos que essas áreas do cérebro
relacionam-se com certos
tipos de experiências conscientes
mas não sabemos o porquê.
Gosto de colocar isso dizendo
que este tipo de trabalho
da neurociência
está respondendo
algumas das questões
que queremos saber
sobre a consciência,
as questões sobre o que certas
áreas do cérebro fazem
e com o que elas se correlacionam.
Mas, de certo modo, estes são
os problemas mais fáceis.
Sem ofender aos neurocientistas.
Não há problemas realmente
fáceis com consciência.
Mas isso não leva ao real mistério,
ao centro do assunto:
o que é isso que todo
processamento físico no cérebro
tenha que ser acompanhado
pela consciência?
Por que existe esse
filme subjetivo interior?
Agora mesmo, não temos
nem uma gota disso.
E você pode dizer,
"vamos apenas dar alguns anos
à neurociência.
Isso acabará sendo outro
fenômeno emergente
como engarrafamentos, como furacões,
como a vida,
e nós iremos entender".
Os casos clássicos de emergência
são todos casos de
comportamento emergente,
como um engarrafamento se comporta,
como um furacão funciona,
como um organismo vivo se reproduz,
se adapta e metaboliza,
todas questões sobre
funcionamento objetivo.
Você poderia aplicar isso
ao cérebro humano
explicando alguns dos
comportamentos
e funções do cérebro humano
como fenômeno emergente:
como andamos, como falamos,
como jogamos xadrez,
todas estas questões sobre
comportamento.
Mas, no que se refere à consciência,
questões sobre comportamento
estão entre os problemas fáceis.
Quando chegamos ao
problema difícil,
aí está a questão do por quê
que todo este comportamento
é acompanhado por uma
experiência subjetiva?
E aqui, o paradigma convencional
da emergência,
mesmo os paradigmas
convencionais da neurociência,
não têm exatamente muito a dizer.
Agora, eu sou um cientista
materialista de coração.
Eu quero uma teoria científica
da consciência
que funcione,
e, por um longo período,
eu dei de cara com a parede
procurando por uma
teoria da consciência
em puros termos físicos
que funcionaria.
Mas eu acabei chegando à conclusão
que aquilo simplesmente não funcionava,
por razões sistemáticas.
É uma longa história,
mas a ideia central é que
o que você consegue
com explicações puramente
reducionistas,
em termos físicos,
em termos cerebrais,
são histórias sobre o funcionamento
de um sistema,
sua estrutura, sua dinâmica,
o comportamento que isso produz,
ótimo para solucionar
os problemas fáceis —
como nos comportamos,
como funcionamos —
mas quando chegamos na
experiência subjetiva —
por que isso tudo parece
algo vindo de dentro? —
isso é algo fundamentalmente novo,
e é sempre uma questão à frente.
Então imagino que chegamos
a um impasse aqui.
Temos esta maravilhosa
cadeia de explicações,
estamos acostumados a isso,
onde a física explica a química,
a química explica a biologia,
e a biologia explica
partes da psicologia.
Mas a consciência
não parece se encaixar
nesse cenário.
Por um lado está esse dado
que somos conscientes.
Por outro, não sabemos como
acomodar isso na nossa
visão científica do mundo.
Então imagino que a consciência, hoje,
seja algum tipo de anomalia,
uma que precisamos integrar
à nossa visão do mundo,
mas não sabemos ainda como.
De frente a uma
anomalia como essa,
ideias radicais podem ser necessárias,
e acho que precisaremos de
uma ou duas idéias
que inicialmente parecem malucas,
antes de nos agarrarmos à consciência
cientificamente.
Agora, há alguns candidatos
para o que essas
idéias malucas possam ser.Dan Dennett tem uma.
Sua ideia maluca é que não há
problema difícil na consciência.
Toda a ideia do filme subjetivo interior
envolve um tipo de ilusão ou confusão.
Na verdade,
tudo que temos a fazer é
explicar as funções objetivas,
os comportamentos cerebrais,
e então teremos explicado tudo
que precisa ser explicado.
Bem, eu digo... Mais poder a ele!
Este é o tipo de ideia radical
que precisamos explorar
se queremos ter uma
teoria cerebral da consciência
puramente reducionista.
Ao mesmo tempo,
para mim e muitos outros,
esta visão está um pouco
perto demais
de simplesmente negar
o dado da consciência
para ser satisfatória.
Então eu vou em uma
direção diferente.
No tempo restante,
eu quero explorar duas ideias malucas
que eu acredito que podem ser promissoras.
A primeira ideia maluca
é que consciência é fundamental.
Físicos as vezes tomam
alguns aspectos do universo
como pilares fundamentais:
espaço, tempo e massa.
Eles postulam leis fundamentais
as governando,
como as leis da gravidade
e as da mecânica quântica.
Essas leis e propriedades fundamentais
não são explicadas em nenhum
termo mais básico.
Ao invés disso,
são tomadas como primárias,
e você constrói o mundo a partir dali.
Agora, às vezes, a lista de
fundamentos se expande.
No século 19, Maxwell descobriu
que você não podia explicar
o fenômeno eletromagnético
nos termos dos fundamentos existentes —
espaço, tempo, massa e as leis de Newton —
então ele postulou leis fundamentais
do eletromagnetismo
e postulou a carga elétrica
como o elemento fundamental
que aquelas leis governam.
Acho que essa é a situação
em que nos deparamos
com a consciência.
Se você não pode explicar a consciência
nos termos dos fundamentos atuais —
espaço, tempo, massa, carga —
então, logicamente, você
precisa expandir a lista.
A coisa natural a se fazer é postular
a consciência em si
como algo fundamental,
um pilar fundamental da natureza.
Isto não significa que, de repente,
você não pode fazer ciência com isso.
Isso abre o caminho para que você
possa fazer ciência com isso.
O que precisamos agora é estudar
as leis fundamentais
governando a consciência,
as leis que conectam a consciência
aos outros fundamentos:
espaço, tempo, massa,
processos físicos.
Físicos as vezes dizem
que queremos leis fundamentais
tão simples
que poderíamos estampá-las em camisetas.
Bem, acho que algo assim é a situação
que temos com a consciência.
Queremos encontrar
leis fundamentais tão simples
que poderíamos estampá-las
em camisetas.
Não sabemos quais são
essas leis ainda,
mas é disso que estamos atrás.
A segunda ideia maluca
é que a consciência
possa ser universal.
Todo sistema deve ter
algum grau de consciência.
Essa visão às vezes é chamada
de pampsiquismo:
pan para todos,
psiquismo para mente,
todo sistema é consciente,
não apenas humanos,
cães, ratos, moscas,
mas até mesmo os
micróbios de Rob Knight,
partículas elementares.
Até mesmo um fóton tem
algum grau de consciência.
A ideia não é que fótons
sejam inteligentes,
ou pensem.
Não é que um fóton
se sinta angustiado pensando:
"Aww, estou sempre vagando por aí
quase à velocidade da luz.
Nunca desacelero pra sentir
o perfume das rosas."
Não, não dessa forma.
Mas a ideia é que
fótons talvez tenham
algum elemento de sentimento bruto,
subjetivo,
algum precursor primitivo
da consciência.
Isso pode soar um pouco
excêntrico para você.
Quero dizer, por quê alguém
pensaria algo tão maluco?
Uma motivação vem
da primeira ideia maluca,
que a consciência seja fundamental.
Se é fundamental,
como espaço, tempo e massa,
é natural supor que seja universal também,
do modo como são.
Também vale observar que,
embora a ideia
pareçaa contra-intuitiva para nós,
é muito menos contra-intuitiva
para pessoas de diferentes culturas,
onde a mente humana é vista como
muito mais interligada à natureza.
Uma motivação mais profunda
vem da ideia de que
talvez a forma mais simples e poderosa
de encontrar leis fundamentais
conectando
a consciência ao processamento físico
seja conectando a consciência
à informação.
Onde quer que haja
processamento de informação,
há consciência.
Processamento de informação complexa,
como nos humanos,
consciência complexa.
Processamento de informação simples,
consciência simples.
Algo muito excitante nos últimos anos
é que um neurocientista, Giulio Tononi,
tomou este tipo de teoria
e a desenvolveu rigorosamente
com uma teoria matemática.
Ele tem uma medida matemática
de integração de informação
que ele chama de phi (ou fi),
medindo a quantidade de informação
integrada a um sistema.
E ele supõe que o phi se relaciona
com a consciência.
Então num cérebro humano,
com enormes quantidades
de integração da informação,
alto grau de phi,
um grande amontoado de consciência.
Em um rato, médio grau de
integração da informação,
ainda assim muito significante,
uma considerável
quantidade de consciência.
Mas conforme você desce até os vermes,
micróbios, partículas,
a quantidade de phi decai.
A quantidade de integração
da informação decai,
mas ainda não é zero.
Na teoria de Tononi,
ainda haverá um grau não-zero
de consciência.
Com efeito, ele está propondo
uma lei fundamental
da consciência: alto phi,
alta consciência.
Agora, não sei se essa teoria é correta,
mas talvez seja, na verdade,
a teoria precursora neste momento
na ciência da consciência,
e vêm sendo utilizada para integrar
um vasto leque de dados científicos,
e tem uma boa propriedade
que é, de fato,
simples o suficiente para
estampar em uma camiseta.
Outra motivação final é que
o pampsiquismo pode
nos ajudar a integrar
consciência ao mundo físico.
Físicos e filósofos têm observado
que a física é curiosamente abstrata.
Ela descreve a estrutura da realidade
utilizando um monte de equações,
mas isso não nos diz
sobre a realidade
que a sustenta.
Como Stephen Hawking diz,
o que coloca a alma nas equações?
Bem, na visão pampsíquica,
você pode deixar as equações
da física como estão,
mas você pode usá-las para descrever
o fluxo de consciência.
Isso é o que a física está
finalmente fazendo,
descrevendo o fluxo de consciência.
Nessa visão, é a consciência
que coloca alma nas equações.
Nessa visão, a consciência
não está suspensa
fora do mundo físico
como algo adicional.
Está lá, direto no centro.
Essa visão, eu penso,
a visão pampsíquica,
tem o potencial de transfigurar
nossa relação
com a natureza,
e pode ter sérias consequências
sociais e éticas.
Algumas delas podem ser
contra-intuitivas.
Eu costumava pensar que
não deveria comer nada
que fosse consciente,
sendo assim, deveria ser vegetariano.
Agora, se você é pampsiquista
e adota essa visão
você vai passar muita fome.
Quando se pensa nisso,
isso tende a transfigurar sua visão,
já que o que importa
para propósitos éticos
e considerações morais,
não é apenas o fato da consciência,
mas o grau e a complexidade
da consciência.
Também é natural perguntar
sobre a consciência
em outros sistemas,
como computadores.
Que tal o sistema
artificialmente inteligente
do filme "Ela", Samantha?
Ela é consciente?
Bem, se você pegar a visão
informacional pampsíquica,
ela certamente tem um processamento
de informações complexo
e integração,
então a resposta provável é sim,
ela é consciente.
Se isso está certo,
levanta questões éticas
muito sérias sobre
a ética em desenvolver
sistemas inteligentes
e a ética de desligá-los. Certo, então essa visão pampsíquica é radical, e eu não sei se está correta. Estou, na verdade, mais confiante sobre a primeira ideia maluca, de que a consciência é fundamental, do que sobre a segunda, de que seja universal. Digo, a visão levanta inúmeras questões, qualquer número de desafios, do tipo como os pequenos pedaços de consciência se aglutinam ao tipo de consciência complexa que conhecemos e amamos. Se pudermos responder essas perguntas, acredito que estaremos indo bem no nosso caminho para uma teoria séria da consciência. Se não, bem, este é o problema mais difícil talvez, na ciência e na filosofia. Não podemos esperar resolvê-lo numa noite. Mas acredito que iremos entender isso algum dia. Entender a consciência é a chave, eu acho, tanto para entender o universo, quanto para entendermos nós mesmos. Talvez apenas precisemos da ideia maluca certa.
Autor: Fílósofo David Chalmers.
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
CUIDADO COM A LÓGICA
(Clique na imagem para ampliar,caso não amplie o suficiente, salve e amplie no visualizador de imagens do seu dispositivo)
UM DRAGÃO NA MINHA GARAGEM - Carl Sagan
[A] mágica, devemos lembrar, é uma arte que requer colaboração entre o artista e seu público.
E. M. Butler, The myth of the magus (1948)
— Um dragão que cospe fogo pelas ventas vive na minha garagem.E. M. Butler, The myth of the magus (1948)
Suponhamos (estou seguindo uma abordagem de terapia de grupo proposta pelo psicólogo Richard Franklin) que eu lhe faça seriamente essa afirmação. Com certeza você iria querer verificá-la, ver por si mesmo. São inumeráveis as histórias de dragões no decorrer dos séculos, mas não há evidências reais. Que oportunidade!
— Mostre-me — você diz. Eu o levo até a minha garagem. Você olha para dentro e vê uma escada de mão, latas de tinta vazias, um velho triciclo, mas nada de dragão.
— Onde está o dragão? – você pergunta.
— Oh, está ali — respondo, acenando vagamente. — Esqueci de lhe dizer que é um dragão invisível.
Você propõe espalhar farinha no chão da garagem para tornar visíveis as pegadas do dragão.
— Boa ideia — digo eu —, mas esse dragão flutua no ar.
Então você quer usar um sensor infravermelho para detectar o fogo invisível.
— Boa ideia, mas o fogo invisível é também desprovido de calor.
Você quer borrifar o dragão com tinta para tomá-lo visível.
— Boa ideia, só que é um dragão incorpóreo e a tinta não vai aderir.
E assim por diante. Eu me oponho a todo teste físico que você propõe com uma explicação especial de por que não vai funcionar.
Ora, qual é a diferença entre um dragão invisível, incorpóreo, flutuante, que cospe fogo atérmico, e um dragão inexistente? Se não há como refutar a minha afirmação, se nenhum experimento concebível vale contra ela, o que significa dizer que o meu dragão existe? A sua incapacidade de invalidar a minha hipótese não é absolutamente a mesma coisa que provar a veracidade dela. Alegações que não podem ser testadas, afirmações imunes a refutações não possuem caráter verídico, seja qual for o valor que possam ter por nos inspirar ou estimular nosso sentimento de admiração. O que estou pedindo a você é tão-somente que, em face da ausência de evidências, acredite na minha palavra.
A única coisa que você realmente descobriu com a minha insistência de que há um dragão na minha garagem é que algo estranho está se passando na minha mente. Você se perguntaria, já que nenhum teste físico se aplica, o que me fez acreditar nisso. A possibilidade de que foi sonho ou alucinação passaria certamente pela sua cabeça. Mas, nesse caso, por que eu levo a história tão a sério? Talvez eu precise de ajuda. Pelo menos, talvez eu tenha subestimado seriamente a falibilidade humana.
Apesar de nenhum dos testes ter funcionado, imagine que você queira ser escrupulosamente liberal. Você não rejeita de imediato a noção de que há um dragão que cospe fogo na minha garagem. Apenas deixa a ideia cozinhando em banho-maria. As evidências presentes são fortemente contrárias a ela, mas, se surgirem novos dados, você está pronto a examiná-los para ver se são convincentes. Decerto não é correto de minha parte ficar ofendido por não acreditarem em mim; ou criticá-lo por ser chato e sem imaginação — só porque você apresentou o veredicto escocês de “não comprovado”.
Imagine que as coisas tivessem acontecido de outra maneira. O dragão é invisível, certo, mas aparecem pegadas na farinha enquanto você observa. O seu detector infravermelho lê dados fora da escala. A tinta borrifada revela um espinhaço denteado oscilando à sua frente. Por mais cético que você pudesse ser a respeito da existência dos dragões — ainda mais dragões invisíveis —, teria de reconhecer que existe alguma coisa no ar, e que de forma preliminar ela é compatível com um dragão invisível que cospe fogo pelas ventas.
Agora outro roteiro:
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
A IMPORTÂNCIA DO IRREAL
Muitas vezes entro em debates a respeito da realidade.
Realidade de Deus , de Jesus , de Buda , de alienígenas , do Pernalonga , dos Pokemons, Cavaleiros do Zodíaco , gnomos , homem aranha , Mickey , Doug Funny , Ursinhos Carinhosos , Star Wars, Dragon Ball , boneco assassino , anjos , demônios , personagens de novela e etc .. sempre falamos que não são reais , mas se pararmos para filosofar neles percebemos que esse seres irreais influenciaram nossas vidas , nosso mundo , civilização , preceitos econômicos , infância , personalidade , comportamento , gostos e desejos muito mais que muitos seres reais.
Depois de tudo sempre continuarão , mesmo quando todos formos embora,basta alguém imagina-los novamente...
São imaginários sim , mas possuem mais influência que muita coisa da realidade , o que os torna mais reais que pensávamos poderem ser.
terça-feira, 30 de setembro de 2014
HIPÓTESE DO CÉREBRO EM CUBA
Imagine, por exemplo, que você é um cérebro flutuando numa cuba. Não um cérebro morto num frasco de formol, mas um cérebro mantido em estado de funcionamento, graças a uma solução química.
Um cientista louco extraiu-lhe o cérebro da caixa craniana sem o seu conhecimento, e o resto do corpo foi incinerado. Para lhe criar a ilusão de que nada mudou, o cientista louco ligou o seu cérebro a um computador que lhe envia impulsos elétricos via eletrodos ligados às suas terminações nervosas, que o seu cérebro, como se nada se passasse, se apressa a traduzir em imagens, sons, odores, impressões táteis e gustativas.
O
processo é interativo, você tem, a impressão de poder continuar a agir
sobre o mundo. Do seu ponto de vista, continua a ter a mesma vida, as
suas atividades e percepções são as mesmas, sem que nada destas
atividades e percepções corresponda à realidade, no sentido que
habitualmente damos a esta palavra.
Poderá ir dar uma volta, se assim o desejar, regar as plantas, dar de comer ao gato, aproveitar as férias para se banhar na água azul, de bronzear-se enquanto lê, bem instalado num transatlântico, um chapéu de palha na cabeça e o corpo besuntado de creme, uma obra filosófica contemporânea que descreve a hipótese de um cérebro numa cuba.
O supercomputador-prótese funciona às mil maravilhas: você é mais um homem entre os homens, pelo menos um ser vivo, uma coisa do mundo entre as coisas do mundo.
___________________
Agora, como vocês refutariam a esta hipótese cética-absoluta? Tal hipótese é a máxima do ceticismo absoluto, ela é conhecida como a "Hipótese do Cérebro em Cuba".
Pensem a respeito.
Poderá ir dar uma volta, se assim o desejar, regar as plantas, dar de comer ao gato, aproveitar as férias para se banhar na água azul, de bronzear-se enquanto lê, bem instalado num transatlântico, um chapéu de palha na cabeça e o corpo besuntado de creme, uma obra filosófica contemporânea que descreve a hipótese de um cérebro numa cuba.
O supercomputador-prótese funciona às mil maravilhas: você é mais um homem entre os homens, pelo menos um ser vivo, uma coisa do mundo entre as coisas do mundo.
___________________
Agora, como vocês refutariam a esta hipótese cética-absoluta? Tal hipótese é a máxima do ceticismo absoluto, ela é conhecida como a "Hipótese do Cérebro em Cuba".
Pensem a respeito.
SOBRE HOMOFOBIA
"Que tempos são estes, em que temos que defender o óbvio?" -Bertold Brecht
A única coisa que ainda não foi entendida bem é que há certos pontos quando se vive em SOCIEDADE que opiniões colapsam com a manutenção do equilíbrio social em qualidade para TODOS, eu disse TODOS.
Eu posso por exemplo ser contra professores? ou homens? ou mulheres? ou negros? ou pobres? LÓGICO QUE POSSO assim como ser contra gays mesmo que não eu tenha um argumento lógico pra generalizar um grupo todo.Só que esse tipo de opinião você guarda para você e assuma a responsabilidade quando expressar ela ao publico no momento que você deveria ser um ser SOCIAL e não individualista.Proíba gays de entrar na sua casa , proíba sua família de ver gays , mas não tente impregnar sua filosofia na sociedade.Crie um país ou sei lá colonize um planeta e viva conforme a constituição e leis que você criar, aqui na TERRA você deve viver em sociedade e respeitas seus coleguinhas!
Como eu vou querer que não me vejam como ''anormal'' (o dono desse blog é homossexual) se a constituição não me der direitos que héteros possuem ? Sou menos cidadão,menos gente, menos humano, sendo gay? Numa discussão como vou poder dizer que sou igual a outra pessoa se aquela pessoa tem direitos que eu não tenho? Como posso não falar de preconceito se todos que já riram de mim, já me chamaram de viado , de bicha , gay , boiola e etc sempre terão direitos fundamentais assegurados a eles até a morte e quanto a mim, bem quanto a mim ter um casamento civil de reconhecimento federal tão cedo será permitido? o casamento não envolve somente procriação , envolve uma relação interpessoal em que os filhos são consequência ,não obrigação.
Me negam o direito básico de ter uma
família somente devido minha posição sexual e a quem eu escolhi amar.AMAR GENTE! Realmente acreditam que todo
gay é pedófilo?E héteros que tem filhas meninas não podem abusar delas
também? Pedofilia é um distúrbio e não está relacionada a opção sexual de
forma unidirecional ! Eu realmente sou incompetente por ser gay no
quesito amar um filho ou filha?
Ainda que eu veja um muro enorme na minha frente ,e seja um vencedor todo dia por ser de uma classe perseguida e morta eu vou continuar , de cabeça erguida e com o sorriso lutador que todo gay tem todos os dias.(não venha me falar que morremos somente por crimes passionais e outros motivos , os crimes de estatísticas homossexuais da ONU selecionam e separam casos e casos , no Brasil é cerca de uma caso por dia conforme a Organização das Nações Unidas).
TENHO ORGULHO DE SER HOMOSSEXUAL.
Ainda que eu veja um muro enorme na minha frente ,e seja um vencedor todo dia por ser de uma classe perseguida e morta eu vou continuar , de cabeça erguida e com o sorriso lutador que todo gay tem todos os dias.(não venha me falar que morremos somente por crimes passionais e outros motivos , os crimes de estatísticas homossexuais da ONU selecionam e separam casos e casos , no Brasil é cerca de uma caso por dia conforme a Organização das Nações Unidas).
Segundo a revista Rolling Stone número 97 na edição
brasileira, de cada 6 mortes no mundo de transgêneros 4 são no Brasil , o que
faz o pais ficar 4 vezes a frente de países como o México e em primeiro no
ranking mundial.A maior parte das agressões são no Nordeste e Sudeste , e de
cada 10 transgêneros, 9 sofrem não só pela possibilidade de morte mas também
pelo bullying em escolas , trabalho , lazer e dia a dia.
Não importa quantos casos ainda sejam solucionados e punidos
, acobertados e esquecidos, todo dia os homossexuais de qualquer idade saem de
suas casas (muitas vezes dentro da própria casa) com a esperança de chegar até
a noite sem nenhuma agressão física , moral e psicológica.Somos mais fortes e
lutadores que imaginam , superamos diariamente coisas que muito hétero
homofóbico não supera esporadicamente em suas vidas como o bullying e assédios
morais.
TENHO ORGULHO DE SER HOMOSSEXUAL.
ÁTILA SILVA CARVALHO REIS
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