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sexta-feira, 21 de novembro de 2014

O parasita atrator existencial






Atrator Existencial
“Não acredito em destino. Porque não gosto da ideia de não poder controlar minha vida.”-Neo, Matrix.

Atualmente tem um parasita que vem tirando-me o sono. Sim! Um parasita. Um maldito organismo, simples em sua estrutura, vivendo agregadamente a mim e as minhas custas e simplesmente, não há medicamento que eu possa tomar a fim de emancipa-lo de mim. Este parasita é diferente dos estudos nos livros de Medicina e Biologia. Ele é mais resistente do que todos os outros parasitas conhecidos à luz da ciência do homem. Este parasita é cruel e não vê a quem. Ele destrói famílias, homens bonitos; belas mulheres e transforma impérios em cinzas. O mais impressionante que podemos notar em sua operação no organismo humano é que ele alimenta-se de algo, no mínimo interessante; ele alimenta-se de sua sanidade.
O parasita mais resistente. Este maldito ser, capaz de destruir belos e esculturais corpos, faces divinas, de separar a mais unida das famílias e levar grandes líderes a consumirem os seus impérios em chamas, é difícil de combater porque ele aloja-se bem lá no fundo. No fundo do coração? No fundo do fígado? Não! No fundo da consciência humana. Eis que o parasita mais resistente é de fato, uma ideia. Ideia esta obsessiva. Destas difíceis de combater. Quem nunca pegou-se pensando, insaciavelmente em algo? Sedento por respostas tal como um nômade no vasto deserto, sedento por água. Sedento por uma saída para a sua sede. Este parasita aloja-se na psique da mulher que pensa todo o tempo, estar sendo traída por seu cônjuge. Este parasita aloja-se bem no fundo do civil que em meio a um parque lotado, pensa estar sendo perseguido. Ele também está naqueles que clamam almas para o “Senhor Deus”. Ele está nos ataques homofóbicos e transfóbicos motivados por motivos torpes sobre os quais, torna-se difícil para a análise determinar uma causa sensata, tão puramente porque não há sensatez em atacar-se o que não pode-se compreender decentemente. Ele está nos necessitados por afeto e por vezes os encontramos em meio aos nossos melhores amigos imaginários.
Pois bem, tendo isto em mente, você já foi infectado a esta altura do campeonato. Estamos todos impregnados destas pragas e elas vivem dentro de nós e por mais cruel que seja, descobrimos ao tentar que eliminando-se estes parasitas de nós, eliminamos também a nós mesmos, pois eis que agora, fazem parte do que somos e definem o nosso caminhar por este mundo, já corrompido. Torna-se difícil definir quem veio primeiro: o hospedeiro ou o parasita, tamanha a força com que alojam-se em nós, pode-se dizer, que fazem parte de nós. Não há distinção entre hospedeiro e parasita. Por ventura, o pensador submerso, confunde-se com os seus ideais. Rapidamente, nos perguntamos quem veio primeiro: o pensador ou o ideal pensado. Muitos são aqueles que seguem ideais bem mais antigos que a si próprios, sem qualquer crítica ou reflexão a respeito de suas bases que podem ter começado dali bem distante. Estes parasitas cruéis são ideias e ideais que tomamos para nós de forma voraz, sem preocupar-se muito com tamanha voracidade. Dizemos que elas nos definem e que dão sentido para as nossas vidas, quando na verdade, perdemos a nossa sanidade, passo-a-passo. Ideias famintas e obsessivas tais como, por exemplo; o modelo de família, constituída por um homem cisgênero, uma mulher cisgênero e uma ou mais crianças. Tudo de forma bem heteronormativa e dizemos então que a nossa heteronormatividade define o que é família e a família define e protege a nossa heteronormatividade. É tão simples deixar estes demônios astutos alojarem-se em nós.
Todos têm os seus demônios e não seria diferente comigo. Eu venho travando uma batalha ferrenha pelo controle de minha vida com um astuto e poderoso demônio. As suas dimensões são difíceis de serem mensuradas e a sua forma é a de uma borboleta. Não seja tolo, meu camarada. Não se deixe enganar pela fisionomia da borboleta. Ela é mais poderosa e astuta do que você pode pensar. Tamanho é o poder da borboleta que rege a lenda que o mero bater de suas asas pode ser a origem de tufões. Vamos analisar as asas de uma borboleta. Elas são simétricas, isto significa que são descritas pela sequência de Fibonacci e a razão entre a sua altura e comprimento é aproximadamente 1,6. Nas asas da borboleta encontramos grandes mistérios como, por exemplo, não é fácil notar, mas pode-se notar que a simetria respeitada pelas asas da borboleta é a mesma simetria respeitada pelo corpo humano, retratada por Leonardo Da Vinci em o conhecido “Homem Vitruviano” e também, respeitada pelas galáxias espirais em nosso Universo de 78 bilhões de anos-luz de diâmetro, 724.834.091.799.876.240.000.000.000 metros de diâmetro. Sabemos atualmente que as estrelas no Universo observável distribuem-se em padrões de π (3,141592), mais um exemplo de beleza na simetria.
Infelizmente, vendo por além desta beleza toda, eu descobri um terrível pesadelo. O pesadelo de que eu não controlo a minha vida. Tudo o que eu fiz, faço e farei, já foi definido por mim e eu, bem, eu estou apenas interpretando um papel, numa grande peça para a qual as minhas falas e ações já foram determinadas por mim, num teatro de 78 bilhões de anos-luz, personagens vão e vem o tempo todo à vida. Eis que aqui, o meu demônio é revelado nas asas da borboleta. A solução das equações é certeira e me leva a uma drástica e inevitável conclusão, a de que: não importa o ponto de partida. Os detalhes são podem ser desprezados e quaisquer mudanças e variações no meio, sempre conduzirão ao mesmo e infalível resultado. Há apenas um único resultado para todo e qualquer caminho, para todo e qualquer detalhe e ele sempre chega. Imagine-se nas asas de uma borboleta, independentemente do ponto de partida que você escolha, contornando todas as curvas, apavore-se, você sempre acabará no mesmo lugar! Não há escapatória, não há escolhas que você possa fazer ou detalhes que você possa mudar, o começo confunde-se com o fim. O alfa torna-se o ômega na fita de Möbius. Na beleza das asas da borboleta, passado, presente e futuro são meras ilusões produzidas por nossos estados de consciência e vejam só; encontramos o nobre Sir Isaac Newton por aqui, também. Esta é a minha batalha frustrada, a minha apoteose que jamais chegará. O cântico de um soldado desiludido, pois eu notei que a minha vida, encontra-se nas asas de uma borboleta, bela e letal. Não há ações que eu possa tomar, não há detalhes que eu possa alterar a fim de evitar o fim iminente. Eu tomei consciência então de que isto é, há muito chamado, destino. Em questões de experiências de vida, de sempre para cá, eu notei que não importa o quanto eu esforce-me, o quanto eu estude ou o quanto eu evolua, não há jeito, a vida tende a ser sinônimo de sofrimento. Logo, existir, é sinônimo de sofrer e não há remédio para este sofrimento. Interessantemente, eu tomei consciência de estar vivendo sobre as asas de uma borboleta para a qual a finalidade é o sofrimento, sempre a frente e inevitável e este, Senhoras e Senhores, é o meu parasita, aquele que come-me a sanidade; o irremediável. Consome-me a ideia de que eu não possa controlar a minha vida. Eu sou só uma mera atriz, vivendo em linhas tortas, nas asas da borboleta.


Autora e minha amiga excepcionalmente genial : Alice Ruiz

domingo, 2 de novembro de 2014

Desabafo


Analisando meu passado , eu inquieto-me bastante ... Parece que fui como um menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltavam poucas, roeu o caroço de jabuticabas que nada mais tinham a oferecer.
Já não tenho tempo para lidar com subalternos da mediocridade. Não quero estar em festas e ''reuniões de amigos'' onde desfilam egos inflados.Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos sem norte. Já não tenho tempo para conversas intermináveis para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha. Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas que, apesar da idade cronológica, são imaturas.Já não tenho tempo para ficar dando explicação aos medianos se estou ou não perdendo a fé, ou porque admiro a poesia do Chico Buarque e do Vinicius de Moraes; a voz da Maria Bethânia; os livros de Machado de Assis, Thomas Mann, Ernest Hemingway e José Lins do Rego ao invés de ler Bruna Surfistinha ou Crepúsculo e ouvir artistas que não fazem arte alguma.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de ''fica da semana'' ou semelhante bobagem, seja ela qual for. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa… Há muitas jabuticabas na bacia ainda com sabores doces para me dar, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão somente andar ao lado de caráter. Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo, e a pior perda é a perda de tempo, são pedaços da sua vida que jamais voltarão para você.Tem um filósofo que diz que as pessoas acomodam-se a futilidade, pois pensar dói e nos faz ver o quão mínimos realmente somos sem toda essa ''maquiagem derretendo''. Não quero ser nunca mais aquele que um sábio pode olhar e pensar ''vc é tão trivial , sua vida é trivial''. Cada um dá o que tem a oferecer .Vou usar de umas frases de um ser excepcional, a escritora inglesa Virginia Woolf :“Ainda está em nossa indolência, em nossos sonhos, que a verdade submersa às vezes vem à tona.Encarar a vida pela frente... Sempre... Encarar a vida pela frente, e vê-la como ela é... Por fim, entendê-la e amá-la pelo que ela é... E depois deixá-la seguir... Sempre os anos entre nós, sempre os anos... Sempre o amor... Sempre a razão... Sempre o tempo... Sempre... As horas..” O essencial faz a vida mais viva. E basta o essencial cara , de verdade, a vida não é um sonho , mas se você esta em um , acorde , a realidade é mais bela e bem mais aconchegante e depois de desperto sonhar acordado vai fazer bem mais sentido!



Átila Silva Carvalho Reis (As jaboticabas são uma alusão a um texto de Ricardo Godim)