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terça-feira, 9 de dezembro de 2014

NÃO SIRVO




Não sei nem fingir, minha personalidade sufoca até minha dissimulação.Consigo de vez em quando sentir o gosto de cores , do tecido , de expressar em mil palavras dentro da minha mente o rosto de alguém que vejo a andar calado olhando ao chão.Me perco alcançando um inexprimível som pela busca do real ,as vezes grita que me deixa irritado , as vezes sussurra que acabo sentindo falta.Eu queria um mundo pra mim tão misturado , misturado do jeito que está agora.
Átila Reis

Sobre estar dentro do olhar.




Entrei num local úmido , textura abandonada em um tipo de lixa embebecida em água salina.Um afluente a frente , atrás uma retina, uma íris , cílios e tudo que quando aqui dentro me perco não quero.Gritei e o eco retornou , voltando um som oblíquo tanto quanto as paredes, percebi que era possível.Gritei em esperança meu nome,nem obtive retorno , sentei, a fonte intensificou , a água salina molhou meus pés....Então eu sorri alto e ouvi o bem dito retorno e era isso,não havia percebido que somente o fora da semântica ecoava...Lá o não limitado nas letras ordenadas é que podia ecoar .Sorri alto de novo , gritei , e o que seria barulho eu achei lindo.Agora com uma melodia que vibra como eu, não limitado em letras e num som desordenado, entendo meus olhos quando que sorriem tristes.
Gritos altos demais, pensei.
Átila Reis.

SANGRE



Antigamente, por volta de 2.000 a.C. a sangria era um método utilizado para a cura de doenças , cortes expostos , sangue escuro a jorrar , e pensava-se que aquela estava a deixar o corpo do moribundo também.Curioso porquê eis que recebo a seguinte mensagem no facebook:
''Vc é introspectivo e visceral.''
É isso,cortar adentro onde não pode cicatrizar , expor sua humanidade , fazer suas vísceras estarem a sua frente , a sangria antiga , a sangria terapêutica pela poesia e prosa.Comece a sangrar e então ficarei feliz,escorra qualquer doença do trivial humano.Identifique-se.

TE ENVIO FLORES DO TIPO QUE TE ACOSTUMASTES



Dedicado a.
Não há maior animal carniceiro que o tempo, tudo que está podre a ele é consumido , o cheiro do decair a ele é perseguido.O tempo mostra em fim os mais (mais e mais), normalmente nunca é você,conselho ainda não cria projeções probabilísticas virtuais
e observar simbilos na água de alguém que de uma maneira qualquer sempre vai a uma única correnteza pragmática é de me cortar o coração.Por um instante me dá alguma pena, um sentimento sem elegância mas irremediavelmente acalentado pelo outrem que está "a pensar com as tripas".
"Morte" iminente eu suponho, sim (sim e sim) , mando flores um dia, flores sem cor e cheiro, só flores já envelhecidas.
Ponto.
Átila Reis.